Ah, o amor, entra pela
porta da frente sem pedir licença, e vai invandindo, sem saber se é
bem vindo. E senta ali no centro, ocupa todo espaço, e se esparrama
pelo, naquela região ali, bem ali, no centro, no peito. Faz a gente
espancar o cerebro e pensar com aorta.
E por causa desse amor
a gente sofre, pisa, massacra, e faz que é feliz. Esquecemos de nós
mesmos, e nos colocamos no lugar desse amor. E quando é assim, não
é mais, não tem como ser. Porque o amor de verdade é tudo, menos
perfeito. Mas que amor é esse que nos faz, não sermos? Que amor é
esse que nos desrespeita, é egoísta, egocêntrico. Ah o amor....
Tem amor que não é
mais amor, é outra coisa, é tudo, menos amor. Eh mania que a gente
tem de dramatizar, de querer pular de um arranha-céu, fazer greve de
fome, e morrer. Ah a morte, é todo fim do amor, a morte. Sim
morremos nós, e morremos sós. Sim, sim, sozinhos, nascemos,
crescemos, e morremos sozinhos. Assim é o amor. E como dizem, o
mundo roda, a catraca gira...
E sim, vai passar, um
dia passa, só não vale insistir no que não dá mais, não é mais,
porque ai, vai ser um ser não sendo, querendo dois, não sendo um. E
ser dois sozinho, é não ser ninguém....