terça-feira, 28 de maio de 2013

É interessante olhar pelo retrovisor, ver tudo que passou e está passando. A vida é mais ou menos isso, a direção de um carro. O passado é como olhar pelo espelho retrovisor, você consegue lembrar e ver até certo ponto, mas não pode se prender a ele, os anos são como os quilômetros, não se consegue ver além do horizonte, que a medida que o tempo passa, ou melhor a distância aumenta, se torna trêmulo.

O presente é como estar sentado no banco do motorista, ou do passageiro. No banco do motorista, você escolhe o caminho, você é o protagonista, no do passageiro você é apenas o coadjuvante, é guiado, e dependendo de quem está com você, independente do lugar que vocês ocupem, decidem juntos o caminho.

O futuro é olhar o horizonte que está à frente, pelo para-brisa, e temos aí a questão do horizonte novamente, que pelo passado e pelo presente, podemos imaginar ou idealizar o que está por vir, mas só podemos ver, ou melhor imaginar até certo ponto, pois não conseguimos ver além, não conhecemos a estrada que aos poucos nos vai sendo revelada.

Ainda temos os passageiros, ou melhor as pessoas que durante o percurso estarão ao nosso lado. Alguns começam a viagem mas não a completam, na verdade completam até onde é seu ponto de parada, não podem ir além, a viagem chegou ao seu fim para elas. Neste desembarque outra pessoa pode ocupar seu lugar, de repente o carro tem sua lotação completa, e a vida(viagem) continua seu ritmo. E entre embarques e desembarques, vamos conhecendo pessoas, vamos nos conhecendo e aprendendo.

Haverá momentos em que estaremos sozinhos durante o caminho, é nesse tempo que fazemos as contas da viagem(vida), olhamos pelo retrovisor, tentamos imaginar a estrada à nossa frente, e entendemos quem ficou(um amor talvez, os amigos com certeza), quem partiu(pessoas que simplesmente passaram para cumprir uma tarefa, uma missão, deixar um pouco de si, ou muito, e levar um pouco de nós, ou muito), quem permanecerá, ou talvez. Ficamos em dúvida do caminho percorrido, se deveríamos ter pego a contramão, ou escolhido entre seguir em frente, ter pego um atalho, ou simplesmente estacionado um pouco para respirar.

Em determinado ponto, alguém, uma pessoa estranha, ou conhecida, não sabemos, de repente alguém que desceu em alguma parada dessa viagem(vida), vai seguir, ou retornar, para estrada com você, só que dessa vez é diferente. Você percebe que essa pessoa não terá um ponto final, não terá que parar, percebe que vai seguir viagem, os caminhos que se enxergam levam ao mesmo lugar, não existem mais caminhos diferentes, nem atalhos, nem retornos, a vida vai seguir, a viagem vai prosseguir.

A vida é mais ou menos isso, é como um carro que temos que dirigir, precisa de cuidado, de manutenção, precisa também se arriscar na direção, a dúvida é a pureza do que pode ser, a certeza é de que vamos chegar a algum lugar, e chegar a lugar nenhum é uma triste escolha de estacionar e decidir não seguir, ou simplesmente de sentar no banco do carona e se deixar levar.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hoje eu acordei com medo, tive medo do passado que não vivi
ainda bem que acordei a tempo, e pude ver que era real
Eu sobrevivi, eu fiz de conta e me enganei
que a felicidade estava ali, que foi amor, e que era dor
e nada além, apenas dor
E eu vi também, pelo espelho eu vi, o que era eu
sem saber de mim, e perdido eu fui, sem me levantar
e então caí, e sobrevivi, e eu me arrastei pra chegar aqui
E então, eu perdi a fé, e lembrei de mim
e me encontrei, de tanto que me perdi
tive que voltar, e não sabia do que passou, de tudo que perdi
quando me ceguei, e me fingi alguém que eu conheci
e se eu voltasse, voltasse primeiro e pudesse mudar, quem então eu seria agora?
e o tempo passou, a juventude se foi, o sonho se esvaiu,
a vaidade já não existe em mim, e eu me perdi de mim,
mas agora tanto faz, tudo que se foi, e o que não é e ainda vai ser
porque o estrago é do que gosto mais, porque o tempo ele não volta mais
ainda bem, que o que passou passou, e vai chegar o dia, e ainda bem
porque eu gosto mesmo é do estrago, e ver o gasto em mim, do tempo
e se eu fosse diferente? sabe lá como eu seria
e eu sei que não vou voltar porque eu já encontrei
ainda bem que eu me perdi, que eu me esqueci,
porque te reencontrei, de tanto que me perdi
se eu pudesse prever e pudesse escolher o que fosse dar errado,
se depende de mim a escolha, e o que sou é o que quis,
Então ficaremos bem pois tudo me leva a você